Millennials
Parem as máquinas! Moedores e moinhos! Prendam os bovinos, interrompam as estradas, convençam, comovam, constranjam e se cruzarem os braços, sem pernas nenhuma ideia se equilibra. Somos a geração da decepção, do infortúnio e viemos cobrar as promessas não cumpridas!
Os prédios foram erguidos às dúzias e se exibem para moradores hipotéticos, possivelmente supostos, carcaças e corredores fantasmagóricos coçando a pele das nuvens poluídas bem no centro da cidade, as praças se tornaram jaulas, o celular me aconselha a ser atropelado por um caminhão na próxima avenida e os pássaros cantam insistentemente, já não sabem mais reconhecer se é dia ou noite. Os tigres deixaram a extinção, mas perdemos o cerrado brasileiro. Foi todo enfeitado com fazendas de cantores sertanejos e políticos procurados pela justiça.
A televisão vende uma seleção exótica de doenças mentais: meninas e meninos de 20 anos preenchem na carne o vazio que não descobrem na alma, o nosso salvador deixou a fantasia de morcego e estende um sorriso quase azul, responde por processos criminais e se apelida de BETman. O Ministério da Saúde que já se perdia com a prevenção de outras mazelas, também passou a apostar no total desenfreado de adictos ao fim de uma semana. Bolões que animam a galera do jaleco branco e que, da última vez, quase terminou em pancadaria acesa.
Os cinemas não impressionam mais e foram demolidos por estudantes revoltados quando os ingressos chegaram aos 100 reais. As livrarias fazem parte de uma seção divertida do MASP, ao lado dos orelhões e das notas de um real. Os teatros se tornaram abrigos para a quantidade de atores frustrados que precisam de atendimento especializado. O Carnaval ainda existe, mas os muros são tão altos que até quem comprou ingresso para os camarotes precisa espremer a visão para reconhecer a pena vermelha e o brilho da comissão de frente. Nas ruas, os blocos foram proibidos por moradores armados com a bíblia da especulação imobiliária.
Parem! Vamos todos! Somos a geração da decepção e viemos cooptar você! Os caminhos estão bloqueados, precisamos de recomeços e de uma casa própria. Precisamos da liberação das fronteiras e saber falar novas línguas. Precisamos de união e de um mesmo discurso. As guerras abocanharam metade do mundo com experimentos atômicos, mentiras e trocas de farpas, nós somos os responsáveis pela criação dos nossos tiranossauros. Assumamos a culpa! As revistas ainda exibem nas capas os bilionários do ano, a mídia não se convence com as passeatas por mudanças, mas o frango segue envenenado e caro. Não há mais tempo! O tempo é agora!
Parem já! E se eu quiser dançar, sem medo de algemas? E se a poesia puder enfrentar a febre dos batalhões e corroer as cercas israelenses? E se o abraço for relembrado e tomar a verdade de um símbolo, a nossa marca na história? E se o dinheiro ganhar a infecção e cair destituído, como qualquer outro papel sendo comido pelo vento? E se inaugurarmos um dia internacional da semelhança e não da diferença? E se o planeta girar suficiente e o universo não amanhecer descoberto por leis inovadoras da Física? Afinal, quais precisam ser as nossas respostas? Parem as máquinas! Somos a geração da decepção e abraçamos as nossas insignificâncias.
—
INVERNO
o planeta se
(re)
colhe as gentes
esfria
têmporas
temperaturas.
(SOPRO CLANDESTINO, 2025)
—
Lucas Galati
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❗SOPRO CLANDESTINO CHEGOU❗
O meu segundo livro de poesia está pronto. Uma obra que assumo ter muito orgulho e que o resultado final realmente ficou surpreendente. Mais uma vez, preciso agradecer a Editora Comala que aceitou encarar, ao meu lado, esse projeto tão especial e que soube captar todos os meus desejos, até aqueles que nem eu mesmo tinha tanta certeza.
Agradecer também aos amigos, familiares e seguidores que participaram da campanha de pré-venda e tornaram esse sonho possível.
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A principal preocupação será sempre com uma construção textual criativa e inesperada. Costumo enviar uma nova edição da newsletter de 5 em 5 dias. Não deixe de arriscar os seus primeiros passos!
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Muito bom texto. Ótima reflexão. Bem que podia dar pra parar...mas estamos confusos...nem saberíamos como nos organizarmos.