ABRACADABRA
To be or not to be. Seem to be.
Não é preciso de um canudo de Harvard para descobrir o toque de um dos principais segredos de um Carbonara caprichado, feito com muito bacon, doses exageradas de parmesão e gemas de tecnologia. Antes fosse o estourar do líquido amarelo que toda avó frita com prestimosa exatidão, a preciosidade, porém, é da ordem dos diamantes. Quilates que foram contorcidos para dentro das nossas orelhas, desde que o telefone passou a andar dentro da bolsa.
O jurássico “tijolão” já estreou na face da Terra no tom histriônico de promessa. A promessa de que a maçã, incontestavelmente sem gosto, seria mordida de novo e um universo de possibilidades explodiria de lá de dentro. Desta vez, o pecado adormeceria nas costas daqueles que se recusassem a fazer parte daquela narrativa superpoderosa.
Poucos conseguiram e em mais de duas décadas, o telefone deixou de discar e passou a ouvir, aconselhar, prever, facilitar, indicar, sugar, explicar, nortear e viciar. Ainda não podemos acelerar automóveis pelos ares e o tratamento dentário se mantém acertado com as mesmas ferramentas medievais, mas os celulares já provocam internações em hospitais e clínicas de reabilitação e até são eternizados como a causa da morte de outros tantos que poderiam sofrer de TDAH ou apenas curtiam um instante de distração. Pobre da Neusa, foi muito para trás. Nem conseguiu tirar a foto. A revelação ficou para o além.
Agora, na verborragia de infindas opções, a chamada que não pode deixar de ser atendida. A chamada que alimenta o olho nervoso a arrastar ainda mais e seguir no meio da enchente, conectado à tela. A chamada que toca, toca, insistentemente e basta ter a coragem em atender e ouvir finalmente você. Isso mesmo. Você para você. Entre muitos absurdos e atalhos, a tecnologia esgarçou a famosa premissa shakespeariana. Ninguém mais precisa ser. Ninguém precisa carregar o peso de uma existência, de um título, de um sobrenome, de uma ideia, de uma ideologia. A tecnologia possibilitou a ilusão, o parecer ser e basta 24 horas para as convicções desaparecerem, para a pauta ser drasticamente alterada e as motivações esquecidas, tiradas do ar.
E o mágico de 2026 não tira mais coelho da cartola, ele tira e atira mísseis. Para todos os lados. Para quem quiser ver. O objetivo maior é esconder todos os seus ossos, as suas carcaças, mas manter a flexibilidade da sua capa. A capa, a sua melhor distração, a sua ilusão preferida. Ele estica o tecido e aparece em navio assassino e ele acena e manda beijos para todos da América do Sul. Depois, o mágico se agita inteiro e sequestra um presidente questionável e grita convencido de que o problema está resolvido. Um problema num país que ele nunca pisou. Uma língua que ele não fala. O mágico, então, exagera na ousadia e um dos seus mísseis atinge a própria perna. A mágica do mágico manca, mas não expõe o estrago feito, nem do menor osso do seu corpo-pólvora.
Novamente, ele se agita. Três vezes e ergue a sua capa e atira da cartola em direção ao Oriente Médio. E o mágico volta a dar risadas e dizer que matou quem deveria ter sido assassinado há muito. E ninguém mais o contradiz e o seu corpo segue como um mistério, uma ossada esquecida, uma área proibida e mais centenas de civis morreram no último lançamento do mágico, mas ele não se importa. Ele se agita e desaparece, antes que os dedos sejam apontados. E o mágico por onde passa, nada se altera. Ele apenas brinca com a sua cartola explosiva.
Afinal, com ou sem mortes, o mais importante para o mágico é o show e a salva de palmas. Sem deixar acabar a bateria.
Lucas Galati
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O meu segundo livro de poesia está pronto. Uma obra que assumo ter muito orgulho e que o resultado final realmente ficou surpreendente. Mais uma vez, preciso agradecer a Editora Comala que aceitou encarar, ao meu lado, esse projeto tão especial e que soube captar todos os meus desejos, até aqueles que nem eu mesmo tinha tanta certeza.
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