Já quis influenciar e nos termos que dita a plataforma, acreditei na papagaiada toda. Números de seguidores, curtidas, visualizações, compartilhamentos. Com uma empolgação ingênua e um esforço desumano, avancei temeroso pelas beiradas da estrutura, mas com pretensões conscientes, estratégias de que algum pódio, uma posição de destaque estaria logo ali, na avenida seguinte. Joguei a minha cara nas redes esperando. Esperei na intenção do outro me dizer se o terreno era muito profundo, se ainda conseguiria ver os meus pés e avançar na forçosa caminhada.
Infelizmente, o que, no meu imaginário coruscante, era a promoção dos meus escritos mais íntimos, se tornou, na frieza de uma realidade intransponível, a promoção da minha imagem. A minha literatura pouco importava. Valia o meu rosto, o corte do meu cabelo, as roupas que eu vestia no momento da gravação. Segui resistente por considerar a fama de outras páginas virtuais que tinham a literatura como intuito. Segui por não ter outra maneira, uma forma mais eficaz de dizer ao mundo que eu não queria ser engraçado, que eu não queria me tornar meme, que eu não fingiria estupidez e nem me dedicaria dias na edição de um vídeo, mas que eu escrevia. Eu escrevia.
Logo no começo, realmente pude me aproximar de gente muito interessante. Amantes sinceros da poesia, pessoas que liam avidamente e entendiam o meu esforço numa plataforma que me pedia mais e mais concisão. A poesia realmente pode ser um tapa na cara. Uma redução extremamente potente, capaz de tirar o sono, de promover catarses, mudanças instantâneas de comportamento, mas não só. Não apenas isso. A poesia deve, por obrigação, ser múltipla, criativa, ser livre e libertária, não pode estar algemada nas exigências de uma peça publicitária, sufocada nos quereres de plataformas que não reconhecem a literatura como uma possibilidade de influência.
Demorei para dar um basta. Hoje, considero o Instagram e os seus semelhantes tão nocivos quanto um vício, tão traiçoeiros quanto uma mentira, tão descartáveis quanto um amontoado de lixo. Nas exigências tácitas da plataforma, busco propositadamente fazer o contrário e celebro as minhas 5, 6, 10 curtidas em cada postagem. O propósito desapareceu. Aliás, o meu propósito desapareceu naquelas águas. Sei que poderia ter dado certo, sei que os incômodos foram todos meus, sei também que fui importante para meia dúzia, mas não quero fazer parte da enxurrada. Não quero ser arrastado e nem obrigado a nada.
Quero. Preciso expandir. Não posso me abreviar e, antes de internauta, cosmopolita, inovador e o cacete, sou brasileiro. Falo português. Sou jornalista, sou um escritor e, justamente por isso, já não posso simplesmente passar. Simplesmente desaparecer. Isso, SIM, é revolucionário!
Lucas Galati
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A principal preocupação será sempre com uma construção textual criativa e inesperada. Costumo enviar uma nova edição da newsletter de 5 em 5 dias. Não deixe de arriscar os seus primeiros passos!
❗SOPRO CLANDESTINO CHEGOU❗
O meu segundo livro de poesia está pronto. Uma obra que assumo ter muito orgulho e que o resultado final realmente ficou surpreendente. Mais uma vez, preciso agradecer a Editora Comala que aceitou encarar, ao meu lado, esse projeto tão especial e que soube captar todos os meus desejos, até aqueles que nem eu mesmo tinha tanta certeza.
Agradecer também aos amigos, familiares e seguidores que participaram da campanha de pré-venda e tornaram esse sonho possível.
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