Ave I.A.
um encontro, uma lição, uma mentira
Foi posto em prática na semana passada. Imposto, eu diria. Presença física obrigatória e lista de chamada. Aconteceu assim. O meu arroz e feijão está garantido até meia hora depois da badalada das 22h00. O expediente se mantém erguido até às 6 de la mañana, quando o meu rico apresentador se despede em saída triunfal. Naquele dia, o dito curso começaria às 20h00, o que me obrigou a sair de casa às 18h30 e ainda manter uma agilidade de esteira pelas escadas e corredores do transporte público paulistano. Cheguei suado, mas cheguei orgulhoso pela rara pontualidade. Um tal professor, com pernas de gafanhoto e óculos circulares, ainda pediu meia hora de espera para que os retardatários pudessem acompanhar a apresentação.
A inteligência artificial no jornalismo. Título poderoso, sintético e nada criativo. Já não me recordo se as linhas se benziam nessa relevância, mas certamente atirei numa semelhança factível. Sim, sim, sim. Chegou chegando e com direito a dois jornalistas/professores com PHD, doutorado na universidade Y, pós-doc na X e risos inflamando o meu cérebro nada artificial: nessa hora e somente nessa hora, o currículo conta. No resto restante, o plano de carreira se dá exclusivamente pela sua influência, os seus contatos, a sua sagrada família. Mas não ali, estávamos de frente para dois especialistas no assunto da vez — um deles com livro publicado e anunciado nos programas da casa —, no que dizem ter vindo para ficar, no que não pode ser mais evitado, silenciado, esquecido, negligenciado. O modelo de inteligência artificial se dispunha em telas e telas de Power Point, numa reunião que se alongaria até às 23h00 após pedidos clementes por desfecho.



